Líder do Parlamento diz que o consenso é a única “salvação” do Líbano
O presidente do Parlamento libanês, o xiita Nabih
Berri, advertiu hoje em discurso que a "salvação" do país passa pela
escolha por consenso do Presidente da República, que deve ser definida
antes de novembro.
O presidente do Parlamento libanês, o
xiita Nabih Berri, advertiu hoje em discurso que a "salvação" do
país passa pela escolha por consenso do Presidente da República, que
deve ser definida antes de novembro.
Em discurso, em Baalbek (leste), com ocasião do 29º aniversário
do Imame Moussa al-Sadr, Berri acusou o chefe do Governo, Fouad
Siniora, e seu "gabinete fantasma" de obstaculizar a nomeação desse
novo presidente, que substituirá o atual, Émile Lahoud.
Siniora defende a escolha do novo presidente por maioria simples
no Parlamento caso não sejam alcançados os dois terços necessários
pela constituição, já que estes parecem atualmente impossíveis de
ser atingidos, devido às diferenças ente políticos cristãos e
sunitas, de um lado, e o grupo formado pelos xiitas e cristãos leais
ao general Michel Aun, de outro.
"Escolher um novo presidente a tempo e em consenso é possível de
acordo com os requisitos constitucionais; isto significaria uma
saída ao atual bloqueio que o país atravessa", disse.
Berri lembrou que, mesmo em 1982, com o país sob ocupação
israelense e com o Parlamento paralisado – o que obrigou os
deputados a se reunirem em uma academia militar – Béchir Gemayel foi
eleito por uma maioria de dois terços.
"Por que agora esta obstinação?", perguntou-se, antes de
advertir: "Usaremos todos os nossos meios para evitar essa escolha a
menos que haja esse consenso de dois terços".
Até agora, as posições entre o bloco de Siniora (chamado "14 de
Março") e seus adversários parecem irreconciliáveis, e nem sequer
parece que possam ser resolvidas com a última proposta do presidente
em fim de mandato, Émile Lahoud.
Lahoud propôs ontem formar um Governo provisório encabeçado pelo
comandante-em-chefe do Exército, convocar novas eleições e formar um
novo Parlamento que eleja o presidente, o que atrasaria em vários
meses o processo, mas a proposta já foi recusada por várias
personalidades do "14 de Março".
Por outra parte, Berri criticou os recentes contratos de venda de
armas americanas a vários países árabes "pró-ocidentais" (Arábia
Saudita, Egito e vários países do Golfo), o que "vai transformar o
conflito árabe-israelense em um conflito árabe-persa, incitando
assim à sedição entre muçulmanos".
Berri qualificou esta venda de armas como uma suposta tentativa
dos EUA de reduzir uma possível influência do Irã sobre o Hisbolá e
outros grupos islamitas na região.
A Constituição libanesa estipula que o Presidente seja cristão
maronita, o Primeiro-ministro muçulmano sunita e o Chefe do
Parlamento muçulmano xiita.
Esta divisão confessional criou vários problemas entre os
libaneses desde sua independência da França, em 1943.
Desde então, os setores de população foram mudando e hoje em dia
a maioria dos libaneses é muçulmana xiita e sunita, enquanto a
população cristã maronita é minoritária.
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| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por libanovivo em 1 de setembro de 2007 às 13:06, e está arquivado em Notícias. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |

