Michel Suleiman, o novo presidente do Líbano, que
ocupa a chefia de Estado, vaga desde novembro passado, é um homem que
soube criar um raro consenso entre partidos que se opunham em
praticamente todos os assuntos.


Michel Suleiman, o novo presidente do Líbano, que
ocupa a chefia de Estado, vaga desde novembro passado, é um homem que
soube criar um raro consenso entre partidos que se opunham em
praticamente todos os assuntos.

Comandante-em-chefe das Forças Armadas Libanesas
desde dezembro de 1998, Suleiman conseguiu manter o Exército à margem
das azedas disputas políticas entre a maioria parlamentar, que sustenta
o Governo de Fouad Siniora (primeiro-ministro do Líbano) e é
considerada pró-ocidental, e a minoria de oposição, governada pelo
grupo xiita Hisbolá e com o apoio quase aberto da Síria.

Suleiman, de 59 anos, casado e com três filhos, é cristão – como deve
ser o chefe de Estado libanês, segundo a rígida repartição confessional
dos cargos institucionais, estabelecida na Constituição libanesa e
ratificado nos Acordos de Taif (1989), que puseram fim à guerra civil
iniciada em 1975.

Formou-se em subtenente na Escola Militar no
ano de 1970, e mais tarde obteve a licenciatura em Ciências Políticas e
Administrativas pela "Universidade do Líbano".

Dirigiu a
Brigada XI de Infantaria, entre 1993 e 1996, durante a ofensiva
israelense contra o Líbano, nas frentes sul e oeste do Vale do Bekaa.

Suleiman esteve à frente do desdobramento do Exército no sul do Líbano
após a guerra que, de julho a agosto de 2006, livraram o país de Israel
e do braço armado do grupo xiita Hisbolá, mas que custou a vida de
1.200 libaneses e de 150 israelenses.

Em 2 de outubro de 2006
levantou a bandeira libanesa sobre a colina de Labbuneh, junto à
fronteira israelense, e anunciou o retorno da soberania do Estado sobre
o sul do país, reduto tradicional do Hisbolá.

Além disso, no
verão de 2007, liderou as operações do Exército no campo de refugiados
palestinos de Nahr al-Bared (junto à cidade setentrional de Trípoli),
onde milicianos, supostamente pertencentes a uma célula da rede
terrorista Al Qaeda, haviam se entrincheirado.

Suleiman foi
responsável pela reorganização e pela reestruturação do Exército, após
uma emenda na lei do serviço militar e uma série de movimentos para
transformá-lo em fiador da democracia e não em um instrumento de
repressão aos opositores.

O novo presidente do Líbano devia
sair da disputa em agosto deste ano, mas seu nome começou a soar com
força para suceder, na Chefia do Estado, Émile Lahoud – um homem muito
identificado com a Síria, e que em seus últimos anos no poder havia
sido boicotado pela maioria parlamentar, até o ponto em que quase
rompeu relações com o primeiro-ministro.

Ao contrário de
Lahoud, Suleiman carece de rótulos políticos e foi, desde o princípio,
aceito por todas as partes, que concordaram inclusive com a necessidade
de emendar a Constituição para permitir que um cargo militar em ativo
passasse diretamente a exercer a Presidência sem que intermediasse um
prazo de dois anos entre uma e outra responsabilidade.

No
entanto, houve outras razões que o impediram de ser eleito
imediatamente: a minoria parlamentar liderada pelo Hisbolá exigia que
essa nomeação fosse acompanhada de reformas na lei eleitoral e na
formação de um novo Governo.

Durante todos os meses nos quais
se agravou o conflito entre as partes, Suleiman soube permanecer fora
da tempestade, tanto que impediu que o Exército interviesse no conflito
que milicianos armados, partidários e contrários ao Governo, criaram
nas ruas de Beirute e em outras cidades do país, no início de maio.

Com essa posição de neutralidade, Suleiman espera conseguir o que
considera seu primeiro objetivo: a reconciliação de um país pequeno em
extensão mas grande em desavenças.

Fonte: {ln:nw:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/25/suleiman_o_homem_que_soube_criar_um_raro_consenso_em_tempo_de_divisoes_1325825.html ‘Último Segundo}

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