Um
Tribunal Internacional de Consciência reuniu-se em Bruxelas
entre sábado e terça-feira (27), sob a presidência
da juíza colombiana dra Lilia Solano, para apreciar os
crimes cometidos pelo Estado de Israel contra o povo do Líbano.

Um
Tribunal Internacional de Consciência reuniu-se em Bruxelas
entre sábado e terça-feira (27), sob a presidência
da juíza colombiana dra Lilia Solano, para apreciar os
crimes cometidos pelo Estado de Israel contra o povo do Líbano.

A
escritora e jornalista libanesa Leila Ghanem, em nome da organização,
abriu o evento com um discurso em que expôs os objectivos da
iniciativa e saudou as delegações vindas de países
da Ásia, da Europa, da África e da América.

Seguiu-se
uma declaração do prof. belga Jean Bricmont e a
leitura por John Catalinotto, dos EUA, de um documento do
International Action Center , de Ramsey Clark-ex Procurador Geral da
Republica dos EUA, sobre a cumplicidade do imperialismo
norte-americano na agressão ao povo do Líbano.

Os
membros do júri, magistrados de prestigio internacional- Lilia
Solana(Colômbia), Adolfo Abascal(Cuba-Belgica),Cláudio
Moffa(Itália ) e Rajindar Sachar (Índia) abriram a
audiência, com breves declarações sobre as
normas processuais que seriam adoptadas pelo Tribunal.

A
sentença condenou o Estado sionista de Israel por crimes
contra a humanidade, genocídio e outros punidos pelo direito
internacional.

Cobertura
silenciosa

A
cadeia de televisão Al Jazeera transmitiu os trabalhos do
Tribunal na íntegra para os países de idioma árabe.
A chamada grande imprensa européia ignorou o acontecimento; os
jornais belgas também.

Para
esse silêncio contribuíram pressões da Embaixada
dos EUA em Bruxelas e sobretudo da Embaixada de Israel que
desenvolveu intensa atividade na tentativa de evitar que o Tribunal
pudesse reunir-se na capital belga.
O lugar inicialmente previsto
para a realização da audiência teve de ser
alterado em consequência de manobras de intimidação.
Pressões israelenses tornaram também inevitável
uma mudança do hotel inicialmente previsto para as delegações
estrangeiras.

Membros
destacados da comissão organizadora receberam repetidas
ameaças pelo telefone. Foi transparente que elementos da
Mossad, a polícia política israelense, estiveram muito
ativos antes e durante o acontecimento.

Cabe
ainda esclarecer que a recusa de vistos impediu a presença de
advogados e magistrados que deveriam ter participado no Tribunal. As
tentativas de sabotagem não conseguiram, porém, impedir
que o Tribunal cumprisse a sua missão com êxito.

Depoimentos
pungentes

O
sábado (dia 23) foi preenchido por depoimentos das
testemunhas, isto é de vitimas da agressão do Estado
sionista, e por intervenções de especialistas em
armamentos proibidos e questões relacionadas com o ambiente .

Advogados,
procedentes também de diferentes países interrogaram as
testemunhas e os peritos. O tempo reservado para a defesa não
foi utilizado. A embaixada de Israel se negou a qualquer contato com
a organização.

A
apresentação de vídeos e de slides sobre as
atrocidades israelenses contribuiu para a atmosfera de intensa emoção
que envolveu a audiência. Uma onda de quente solidariedade
inundou o grande salão da Casa das Associações
Internacionais de Bruxelas onde funcionou o Tribunal.

Raramente
em acontecimentos similares senti como ali a transformação
em solidariedade colectiva dos sentimentos de revolta e dor
suscitados pela revelação de crimes tão
monstruosos como os cometidos no Líbano pela barbárie
neonazi isrealense.

E
revelação porquê, se os fatos são
conhecidos?

Vivemos
numa época tão desumanizada, sob o bombardeio de um
sistema mediático de tamanha perversidade, que mesmo
militantes veteranos das lutas antiimperialistas têm
dificuldade em captar todo o horror de crimes como os que atingiram o
povo do Líbano.

Ouvir
as pessoas que perderam filhos ou pais, algumas toda família,
recordar em depoimentos comoventes as horas trágicas do
verão de 2007 –por vezes com a ajuda de imagens – é
diferente do acompanhamento pela imprensa e pela televisão do
que então ali ocorreu.

Mães
cujos filhos nasceram deformados pelos efeitos do urânio
empobrecido, camponeses cujos familiares tiverem braços ou
pernas serrados por armas monstruosas, ou o fígado ou o
pâncreas destruídos por partículas minúsculas
de bombas de fragmentação quase desconhecidas,
desfilaram pela tribuna como testemunhas e vitimas de acções
de barbárie concebidas e executadas pelas forças
armadas de um Estado neonazi que se apresenta como democrático
e conta com o apoio irrestrito de Washington.

O
Tribunal ouviu médicos e autarcas das cidades do Sul do Líbano
esventradas pela metralha israelense evocar o cenário de
horrores das semanas da agressão. Tomou conhecimento das
consequências da maré negra provocada por Israel, o
flagelo que cobriu de petróleo mais de 100 quilômetros
do litoral de um pequeno país. Milhares de pescadores foram
lançados na miséria pela destruição por
muitos anos da vida animal e vegetal nessas águas agora envenenadas.
O turismo nas praias libanesas tornou-se impossível por
muito tempo.

Objetivo
frustrado

Como
avaliar o sofrimento dos que entre ruínas ainda fumegantes
encontraram os corpos de filhos degolados pela soldadesca israelense?
Porque o objetivo da violência irracional não foi
apenas destruir aldeias e matar civis desarmados. O Estado sionista,
ao semear um terror apocalíptico no Sul do Líbano,
pretendia também que as populações
abandonassem para sempre as regiões fronteiriças. Não
conseguiu!

De
12 de julho a 24 de agosto, data do cessar fogo tardiamente imposto
pelo Conselho de Segurança, o povo do Líbano foi alvo
de uma agressão monstruosa . A heróica resistência
dos combatentes da Hezbollah e dos que a seu lado se bateram contra

os
invasores transformou em derrota militar – a primeira infligida ao
Estado sionista aquilo que Tel Aviv e Washington haviam concedido
como prólogo de uma estratégia mais ambiciosa para o
Oriente Médio.

Os
sofrimentos do povo libanês não são
quantificáveis. Os prejuízos materiais devem rondar os
2800 bilhões de dólares.

A
leitura da sentença foi precedida de uma Mesa Redonda na qual
intelectuais revolucionários da Europa e da América
,entre os quais Georges Labica e John Catalinotto fizeram a apologia
da uma solidariedade internacionalista militante contra a barbárie
imperialista e sionista .

Identificado
com ambos, recordei uma evidência trágica: o rumo de
uma comunidade religiosa perseguida durante séculos a
judaica, alvo do genocídio nazi e que no espaço de
décadas se transformou numa metamorfose dramática,
passando do papel de vítima ao de agressora, assumindo no
Estado de Israel contornos neonazis.

A
solidariedade contra os crimes desse Estado monstruoso, instrumento
do imperialismo no Médio Oriente, tornou-se dever para a
humanidade progressista.

Fonte: {ln:nw:http://www.brasildefato.com.br:8080/v01/agencia/analise/tribunal-condena-israel-por-crimes-contra-o-povo-do-libano ‘Brasil de Fato}

Posts Relacionados:

  1. Líbano condena a violação de espaço aéreo da Síria por Israel
  2. Líbano destinará US$ 5 milhões para criação de tribunal internacional
  3. Moscou condena atentado em Beirute e pede eleição no Líbano
  4. 29 DE NOVEMBRO – Dia Internacional De Solidariedade ao Povo Palestino
  5. Finul confirma lançamento de projétil contra Israel do Líbano